quarta-feira, 4 de junho de 2014

Penitenciária Nelson Hungria bloqueia sinal de celular até de membros da diretoria.


Segurança reforçada na Nelson Hungria. Em testes desde fevereiro, a tecnologia que bloqueia sinal para chamadas de celular, acesso à internet e envio de SMS de todas as operadoras dentro do Complexo Penitenciário em Contagem, Grande BH, já está em funcionamento. 

A notícia foi dada ao Hoje em Dia, em primeira mão, pelo secretário de Estado de Defesa Social, Rômulo de Carvalho Ferraz. Em 30 dias, será publicada uma nova licitação para ampliação do serviço, que chegará a outras três unidades prisionais de Minas.
A localização e o tamanho da Nelson Hungria – cerca de 140 mil metros quadrados – foram os responsáveis pela demora na entrega do sistema que, inicialmente, entraria em operação em março.

“Tínhamos que fechar todas as brechas. Um trabalho complicado para uma unidade tão grande. Depois, conferimos várias vezes se todas as operadoras estavam fora do ar, assim como a internet wi-fi”, explicou o secretário.

Com os principais líderes de quadrilhas mineiras agora inacessíveis por telefonia móvel, a Polícia Civil prevê a redução da criminalidade em curto e médio prazos. Sobretudo nas ocorrências relacionadas ao tráfico de drogas, explosão de caixas eletrônicos e homicídios, segundo a direção da Delegacia Especializada de Repressão a Organização Criminosa da Divisão Especializada de Operações Especiais (Deoesp).

O alcance da tecnologia atinge aparelhos de diretores e agentes penitenciários, mas não prejudica a vizinhança. “Não vemos problemas nisso, até mesmo pelos problemas que já tivemos com desvio de conduta de algumas pessoas, que facilitavam a entrada de celulares”, observou Rômulo Ferraz, acrescentando que, só no ano passado, 200 aparelhos foram apreendidos na Nelson Hungria.

Próximo passo

A Penitenciária de Segurança Máxima de Francisco Sá (no Norte de Minas) e as unidades de Uberlândia e Uberaba, no Triângulo Mineiro, serão as próximas a terem o sinal de celular cortado. Todas abrigam grande número de presos ligados ao crime organizado.

“Pela experiência que já tivemos na Nelson Hungria, e sendo penitenciárias de menor porte, o serviço custará mais barato ao Estado e será colocado em prática em menor tempo”, prometeu Rômulo Ferraz.

Ruídos impedem o envio de sinal

Além da Nelson Hungria, apenas o Complexo Penitenciário Público-Privado de Ribeirão das Neves tem tecnologia semelhante no Estado. Lá, o bloqueador de celular entrou em operação em novembro de 2013.

“Há presídios no Rio Grande do Sul e no Espírito Santo onde o serviço está sendo testado. No fim do ano passado, o governo de São Paulo anunciou licitação para instalação de um sistema que corte o sinal nos presídios”, informou o secretário Rômulo Ferraz.

O bloqueio de celulares na penitenciária Nelson Hungria será feito por meio de uma tecnologia conhecida como “jammer”. O equipamento emite ruídos que impedem o sinal de chegar aos aparelhos celulares.

Embora a fase de ajustes já tenha terminado, a eficácia da barreira para sinais telefônicos e de internet só estará garantida com novos testes, a serem realizados com frequência. “Se qualquer antena mudar de endereço, por exemplo, será necessário rever os pontos onde os instrumentos foram instalados. Esse sistema envolve muitos aspectos tecnológicos, que precisam ser vigiados. Vamos continuar atentos para garantir que não haverá falhas”, afirmou o secretário.

Investimento de R$ 1,6 milhão foi acertado, afirma especialista

O investimento do governo do Estado para instalação do bloqueador no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem, foi de R$ 1,6 milhão.

“Finalmente, uma tecnologia que realmente funciona chega a Minas Gerais. Essa é uma das medidas de segurança mais importantes já adotadas no Estado. O desafio, agora, é expandir esse serviço para o maior número de unidades prisionais possíveis. É uma ação louvável, que merece o reconhecimento público”, opinou o especialista em Segurança Pública Luiz Flávio Sapori .

Atualmente, a Nelson Hungria opera além da capacidade. Há 1.992 presos – 328 além do que a infraestrutura suporta.

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